Morre afogado após salvar filha

 

Homem ainda conseguiu empurrar a filha de 13 anos para as rochas, mas foi arrastado.

Na praia do Banho, em Porto Covo, Sines, estavam poucas pessoas, apesar do dia de calor. Fábio Fernandes, de 39 anos, e a filha, de 13, estavam na água pelas 14h00 de ontem, quando foram arrastados pela corrente. Por instinto, o pai ainda conseguiu empurrar a menor para as rochas onde ficou segura. O homem acabou por ser levado pelo mar.

Depois de ser resgatado, não resistiu às paragens cardiorrespiratórias, apesar dos esforços das equipas médicas e de socorro.
Os nadadadores-salvadores do programa Seawatch, os Bombeiros e a Polícia Marítima chegaram à praia em poucos minutos, após o alerta dos banhistas, e retiraram o homem da água, já sem sentidos. Seguiram-se duas horas intensas de manobras de reanimação no areal. A vítima, de nacionalidade brasileira e residente em Alpiarça, acabou por ser transportada em estado crítico para o Hospital de Santiago do Cacém, onde acabaria por ser confirmado o óbito.

A menina sofreu escoriações e recebeu tratamento no local, tal como a mãe, por ter ficado em choque. Ambas estão também a receber apoio psicológico.

“É preciso redobrar atenções e ter muito cuidado nas praias, sobretudo quando não estão vigiadas. Não arriscar e ter atenção sobretudo às crianças”, referiu Sá Coutinho, comandante do Porto de Sines, que coordenou a operação.

Época Balnear A época balnear abriu ontem nos principais destinos turísticos portugueses. No caso do concelho de Sines esse mesmo período só tem início a 15 de junho. Até lá, as praias continuam sem vigilância.
Notícia retirada de http://www.cmjornal.pt

 

Corpo de menino afogado em S. Torpes já foi encontrado

 

Corpo do pequeno Manuel Carvalho estava nas rochas, a um quilómetro e meio do local onde desapareceu. Foi encontrado de manhã, por um popular

O corpo do menino que desapareceu na praia São Torpes, no concelho de Sines, no passado dia 21, foi encontrado segunda-feira, 29 de Maio, nas rochas, a cerca de 1,5 quilómetros a sul, revelou a Polícia Marítima.

“A informação chegou-nos cerca das 07:45”, através de “um popular que avistou o corpo”, disse à agência Lusa o comandante da Polícia Marítima e capitão do Porto de Sines, Manuel Sá Coutinho.

Segundo o comandante, o corpo apareceu “fora de água, nas rochas que se encontram junto à costa”, sensivelmente “a 1,5 quilómetros a sul” do local onde o menino havia desaparecido.

“A autoridade de Saúde já esteve no local, a confirmar o óbito, temos autorização do Ministério Público e o corpo vai ser removido pelos bombeiros para a morgue do Hospital do Litoral Alentejano”, no concelho de Santiago do Cacém, indicou a fonte.

No passado dia 21 deste mês, o menino, de 10 anos, estava na água, na praia, com o pai, que terá saído do mar e deixou de ver o filho, tendo o alerta para o desaparecimento do rapaz sido dado cerca das 16:30 desse dia.

As autoridades realizaram, então, buscas por mar, terra e ar para tentar encontrar o menino, com meios da Polícia Marítima, dos bombeiros, GNR e Força Aérea, sem resultados, até hoje.

O Gabinete de Psicologia da Polícia Marítima disponibilizou-se para prestar apoio psicológico aos familiares do menino.

Trinta e seis pessoas morreram afogadas entre 01 de janeiro e 01 de maio deste ano, metade das quais no mar, segundo os dados divulgados pelo Observatório do Afogamento, da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores.

De acordo com o Observatório, nenhum dos locais onde as 36 pessoas morreram – 28 homens e oito mulheres – tinha vigilância.

A Polícia Marítima e militares da Marinha reforçaram no início do mês a presença nas praias, alertando para os riscos das condições do mar.

Notícia retirada de https://diariodaregiao.pt

 

Cinco pessoas salvas no mar

 

Cinco pessoas foram resgatadas do mar na tarde de dia 12 de Maio, na praia da Parede, em Cascais, junto ao Hospital Sant’Ana.

Uma mulher de 38 anos caiu ao mar e, prontamente, quatro pessoas entraram na água para a socorrer. No regresso, foram impedidas pela forte agitação das ondas. O alerta foi dado às 15h28 e a Polícia Marítima, no local, resgatou rapidamente as cinco pessoas com a ajuda de embarcações. A mulher foi retirada do mar em estado inconsciente.

Os bombeiros voluntários da Parede, Oeiras e Estoril estiveram na praia a prestar socorro com 24 operacionais e 11 viaturas.
Notícia retirada de http://www.cmjornal.pt

Quatro mortos em dia trágico em praias portuguesas

 

Morre no hospital após ser retirado da água na Caparica

 

Na Costa da Caparica, três pessoas foram retiradas da água por volta das 13h05 do dia 1 de Maio, na Praia da Rainha.  Um homem e uma mulher de 26 anos apresentavam sinais de hipotermia e foram assistidos no local. Um terceiro homem, de 32 anos, foi retirado da água já em paragem respiratória e acabou por morrer no Hospital Garcia de Orta, em Almada.

As três vítimas faziam parte do mesmo grupo. Estavam na praia e resolveram dar um mergulho. Foram retirados da água por surfistas que estavam no local, mas um deles não resistiu ao afogamento.

O segundo comandante dos bombeiros voluntários de Cacilhas, Jorge Paulo, disse à agência Lusa que o homem, de 31 anos, morreu por afogamento no Hospital Garcia de Orta, em Almada, para onde foram também transportados os dois outros feridos ligeiros por hipotermia.
Aquele responsável adiantou que foram feitas ao homem manobras de reanimação e foi ainda transportado com vida para o hospital. Segundo Jorge Paulo, o homem que morreu entrou no mar para tentar salvar as outras duas pessoas que ficaram feridas.

Estiveram, na Praia da Rainha, os bombeiros de Cacilhas, INEM e elementos da Polícia Marítima. A praia não estava a ser vigiada, uma vez que ainda não arrancara a época balnear.

Notícia retirada de http://www.cmjornal.pt

 

Casal morre na Nazaré

 

Na Nazaré, as vítimas são um casal de turistas espanhóis, com idades de 77 e 75 anos.

Estariam a passear na praia, junto à zona de rebentação quando foram arrastados por uma onda. Quando os meios de salvamentos chegaram , já pouco havia a fazer. A mulher, de 75 anos, foi retirada da água já cadáver, o homem esteve desaparecido durante mais de duas horas, tendo sido encontrado já sem vida.

O alerta chegou pelas 14h35. Decorreram no local buscas por terra com meios dos bombeiros e pelo mar com recurso a uma mota de água da estação salva-vidas. Esteve também no local um meio aéreo a realizar buscas pelo homem que acabaria por ser encontrado pouco depois das 16h00.

Também neste caso, a Praia da Nazaré não estava a ser vigiada por nadadores-salvadores.

Notícia retirada de http://www.cmjornal.pt

 

Mulher morre arrastada pela corrente

 

Depois da notícia de uma morte na Caparica e outras duas na Nazaré, uma quarta morte foi confirmada ao final da tarde na Póvoa de Varzim. Trata-se de uma mulher que foi arrastada por uma onda quando passeava no areal com o marido. O homem, de cerca de 60 anos, foi resgato da água por um nadador-salvador que, embora não estando de serviço, assistiu ao acidente e saltou para dentro de água. A mulher foi depois retirada da água, já sem vida.

As vítimas serão de nacionalidade estrangeira e estavam integradas num grupo que visitava a Póvoa de Varzim. O acidente aconteceu por volta das 18h30 em A-Ver-o-Mar, na Póvoa do Varzim.

Notícia retirada de http://www.cmjornal.pt

 

Encontrado corpo de mulher desaparecida na Zambujeira

 

Foi encontrada no dia 1 de Maio a mulher de 80 anos que se encontrava desaparecida depois do carro em que seguia com o filho, que ia a conduzir, ter caído de uma ravina junto ao porto de pesca da Zambujeira do Mar.

As buscas no mar, com mergulhadores, foram interrompidas pelas 00h10 de domingo por falta de visibilidade e foram retomadas às 07h00 de segunda-feira. Dez minutos depois, a Polícia Marítima, acompanhada por uma lancha, uma corveta e um helicóptero, e com a ajuda dos bombeiros de Odemira, encontraram o corpo da mulher, já sem vida.  O corpo foi recuperado através do meio aéreo.

Segundo as autoridades presentes no local, o carro ficou preso em rochas junto ao mar e o condutor, de 47 anos, conseguiu sair da viatura e pedir socorro para a mãe que estava presa dentro da viatura. As autoridades encontraram a viatura praticamente submersa numa zona “de ravina extremamente acidentada”, mas sem a presença da passageira.

Luís Oliveira, comandante dos Bombeiros Voluntários de Odemira, disse à CMTV que o automóvel caiu de uma altura de cerca de 60 metros e que a mulher que se encontrava desaparecida tinha 80 anos.

O condutor foi assistido no local, tendo sofrido ferimentos ligeiros. No local estiveram os Bombeiros de Odemira, duas ambulâncias do INEM, elementos da Polícia Marítima e da GNR.

As autoridades já estão a investigar as causas do acidente.

Notícia retirada de http://www.cmjornal.pt

 

 

Banhista morre a nadar para gruta

 

Um banhista alemão com cerca de 60 anos morreu na manhã do passado dia 12 de Abril, vítima de doença súbita quando nadava em direção à gruta de Benagil, em Lagoa.

O alerta foi dado por outros banhistas que iam visitar a gruta – muito procurada mas também perigosa e onde já foram feitos diversos resgates – e viram o homem a boiar de cabeça para baixo. Entre os banhistas estava um médico, que tentou socorrer a vítima, sem sucesso.

O corpo foi retirado pelo salva-vidas de Ferragudo e o óbito declarado pelo INEM.

Notícia retirada de http://www.cmjornal.pt

 

 

REGISTOS

 

Desde 1997, os registos da Resgate apontam para um total de:

  • 570 Salvamentos

A partir do ano de 2002, há registos de:

  • 194 677 Ações Preventivas ( Diretas e Indiretas )
  • 13 425 433 Banhistas nas Praias
  • 2 511 Picadas de Peixe-Aranha
  • 3 902 Escoriações
  • 1 973 Outros ( Entorses, Alergias, Picadas de Abelha, etc)

Na seguinte tabela estão representados os registos desde 1997 até ao ano passado, 2016.

Nota: Antes da Resgate nascer, apenas eram registados os salvamentos. Com o surgimento da Associação, começaram-se a registar todas as outras ocorrências, avisos, e até o número de banhistas nas praias.

 

 

Como Sobreviver a um Agueiro

 

Quatro pessoas morreram no passado dia 1 de Maio nas praias portuguesas. Oitenta por cento dos afogamentos acontecem por causa de agueiros. Saiba como sobreviver a um.

O mar também mata e, no passado dia 1 de Maio, morreram quatro pessoas nas praias nacionais. Os agueiros, que representam a causa de 80 por cento dos afogamentos que acontecem na costa portuguesa, são imprevisíveis e incontroláveis, mas há algumas medidas que pode tomar se se vir apanhado no meio de uma corrente.

 

Simplificando: os agueiros são correntes que se formam perpendicularmente à linha de areia, geradas pela ondulação ou pelas linhas de profundidade oceânica. Em muitos casos, o banhista só se apercebe que está a ser arrastado para águas profundas quando perde o pé e tem dificuldades em regressar à areia.

 

«Existem três tipos de agueiros», diz Olga Marques, chefe do Serviço de Assistência a Banhistas do Instituto de Socorros a Náufragos. «Os permanentes, os móveis e os súbitos. Isso faz com que seja impossível determinar a sua localização ou frequência.» É um perigo inconstante e fortuito.

 

Nem sempre é fácil identificar um agueiro, mas há sinais que podem denunciar uma corrente perigosa. «Normalmente a zona onde corre o agueiro tem uma cor mais acastanhada. A água é mais profunda e escura». Pode também haver espuma à superfície que se estende até à rebentação. Numa zona de agueiro, há menos ondas a quebrar.

 

Caso se veja apanhado por uma destas correntes, há algumas regras que podem melhorar as suas hipóteses de sobrevivência. «A primeira é não entrar em pânico», diz Olga Marques. «Depois é não tentar nadar contra a corrente. Deve tentar nadar paralelamente à costa, afastando-se lateralmente até deixar de sentir a força da corrente, para conseguir voltar a terra.»

 

Notícia retirada de noticiasmagazine.pt

 

 

Morreram 36 pessoas por afogamento desde o início do ano

SARA MATOS/GLOBAL IMAGENS

Nadadores salvadores e concessionários defendem vigilância sempre que as temperaturas sobem e há pessoas nas praias

Trinta e seis pessoas morreram por afogamento em Portugal desde um de janeiro, 18 das quais no mar. Os dados são do Observatório do Afogamento, plataforma criada pela Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores, e foram cedidos ao DN ontem, um dia após a morte de quatro pessoas em praias onde a vigilância só começa em junho. Ao DN, as entidades envolvidas nas questões balneares dizem que não faz sentido antecipar a abertura da época balnear, mas há quem defenda uma mudança das normas. Concessionários e nadadores salvadores são a favor da vigilância em qualquer altura do ano, consoante as condições climatéricas, mas assegurada por entidades do Estado.

Contactada pelo DN, a Agência Portuguesa do Ambiente remete para o enquadramento legislativo desta matéria, que diz que a duração da época balnear é definida mediante os períodos em que se “prevê uma grande afluência de banhistas, tendo em conta as condições climatéricas e as características geofísicas de cada zona ou local”. Um procedimento que requer a apresentação de propostas por parte os municípios às administrações das regiões hidrográficas. De acordo com a divisão de comunicação da APA, nesta altura, “na maior parte das zonas o mar ainda não oferece condições para a prática balnear e, por essa razão, só a zona de Cascais é que iniciou a época balnear [no dia 1 de maio]”. Segue-se Albufeira no dia 15.

Para Coelho Dias, porta-voz da Autoridade Marítima Nacional, não faz sentido antecipar a abertura da época balnear, já que a solução que existe atualmente é “de equilíbrio” e “assenta na sustentabilidade”. O que não quer dizer, ressalva, “que não seja motivo para refletir”. “Na perspetiva de algumas pessoas, perfeito era ter nadadores salvadores o ano inteiro, mas isto tem que assentar em princípios de sustentabilidade. Quem é que paga? Há trabalho para isso?”.

Lembrando que há concessionários que pagam aos nadadores salvadores para assegurar a vigilância fora da época balnear, Coelho Dias destaca que “não se pode impor todo o ano.” Parte da solução, frisa, é as pessoas tomarem consciência “que têm de incutir nelas próprias uma cultura de segurança, não se exporem ao risco.”

Concessionários é que pagam

Quem paga os salários dos nadadores salvadores são os concessionários, algo que, para a Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS), está errado. “Devia haver vigilância em função das condições climatéricas, mas, para isso, têm que deixar de ser os concessionários a contratar. Podia ser criada uma taxa municipal, por exemplo, e ser a autarquia ou a autoridade marítima a contratar”, sugere Alexandre Tadeia, presidente da FEPONS, acrescentando que já fez essa proposta a grupos parlamentares e sucessivos governos.

O ideal, destaca Fernando Tadeia, “era que as praias tivessem vigilância o ano todo, mas não nos mesmos moldes”. No inverno, sugere, se existisse uma viatura com dois nadadores salvadores a percorrer as praias, “evitavam-se muitas mortes”. De resto, à semelhança do que acontece nos EUA, a vigilância seria determinada em função das previsões meteorológicas.

Uma opinião semelhante é partilhada por João Carreira, presidente da Federação Portuguesa de Concessionários de Praia: “Não faz sentido antecipar a época balnear, mas criar parcerias com associações de nadadores salvadores, câmaras, concessionários e ISN, para haver equipas no terreno – de mota de água e moto 4 – quando o tempo está bom”. Destacando que há muitos concessionários ainda fechados e que estes já asseguram a vigilância na época balnear, diz que querem fazer parte da solução, mas não podem “suportar tudo”.

Cascais e Albufeira mais cedo

Em Cascais, a época balnear começou na segunda-feira. Ao DN, fonte da autarquia explicou que “praias limpas e com qualidade, bons equipamentos de praia e sol atraem, desde cedo, milhares de portugueses e turistas às praias do concelho”, pelo que não fazia sentido esperar até dia 1 de junho. Todos os anos, a autarquia investe cerca de 100 mil euros em ordenados dos nadadores, já que assegura os salários, juntamente com os concessionários, durante todo o mês de maio e os primeiros 15 dias de outubro. “Nas praias sem concessão, paga sozinha os salários”.

Já em Albufeira, Carlos Silva e Sousa, presidente da autarquia, diz que “as condições de segurança, apoio e clima” também levam a que a época comece a 15 de maio. Anualmente, há uma “reunião magna” com os concessionários e “todos concordam” que é a altura indicada. Na Nazaré, onde um casal de idosos morreu afogado na praia, anteontem, o município diz que “há abertura” para “estudar, conjuntamente com a APA e a Capitania do Porto, a antecipação da época balnear”.

As quatro mortes por afogamento elevaram para 36 as vítimas mortais este ano, mais do dobro do número total de mortes em 2009 (68). Um dado preocupante, diz Alexandre Tadeia, que se deve ao facto de “não existir segurança aquática nos conteúdos programáticos” e de não haver “uma cultura de segurança aquática em Portugal”, pelo que a FEPONS está a criar um programa de segurança aquática para as escolas. Alexandre Tadeia alerta que a segurança aquática poderá ficar ainda mais ameaçada se avançar o projeto lei “para tornar facultativa a presença de nadadores em piscinas”.

Notícia retirada de dn.pt

Valdir morreu pouco antes de mudar de vida

Estava prestes a completar 32 anos. Um dia de praia acabou por ser fatal. Valdir Tavares entrou pelo mar da Costa de Caparica para ajudar um casal. “Ele era assim, corajoso”, conta um amigo. Valdir tinha-se despedido do trabalho e dos colegas na sexta-feira: em breve, ia regressar a Cabo Verde, onde nasceu, para começar um novo desafio profissional. Além de Valdir, mais três pessoas morreram nas praias portuguesas esta segunda-feira.

Valdir Tavares, 31 anos, foi uma das quatro pessoas que morreram nas praias portuguesas esta segunda-feira. Tinha ido até à Costa de Caparica, em Almada, para passar um bom bocado com os amigos. Aproveitar o feriado e o bom tempo. Eram 13h quando entrou no mar.

“Os surfistas aperceberam-se que estavam três pessoas na água e foram socorrê-las. Quando se aproximaram, quem estava em melhores condições físicas era o homem que viria a morrer. Foram puxados pela corrente”, diz ao Expresso o capitão do Porto de Lisboa Paulo Isabel. “As testemunhas no local indicaram que o homem [Valdir] tentou salvar o casal que estava na água”, acrescenta.

Com o aparato dentro de água, os surfistas aproximaram-se. Conseguiram resgatar o casal, mas perderam Valdir de vista por uns minutos. Quando o reencontraram, estava em paragem cardiorrespiratória. No areal, tentaram a reanimação. Foi levado para o Hospital Garcia de Orta, mas Valdir não resistiu. Às 15h40 foi dado como morto.

“Sei que morreu heroicamente a tentar salvar um casal. Não vou procurar mais detalhes porque não é o mais importante”, conta ao Expresso João Narciso, amigo de Valdir. “Morreu fiel aos seus princípios, gostava de ajudar os outros e, perante uma situação daquelas, o Valdir era incapaz de ficar quieto. Tinha muita coragem física e psicológica.”

Há meses que Valdir falava no regresso a Cabo Verde. As saudades de casa apertavam e a vontade de abraçar uma nova aventura profissional era enorme. Pediu uma licença sem vencimento, que foi aceite – trabalhava na área de recursos humanos na Administração Central do Sistema de Saúde. Tinha-se despedido dos colegas de trabalho na sexta, viu o Benfica no sábado.

“Talvez a razão por ele ainda estar cá era o aniversário. Queria passar a data com os amigos aqui e depois ia embora. Já tinha emprego lá”, refere João Narciso.

Formado em Gestão de Recursos Humanos em Economia Monetária e Financeira, estava em Portugal desde 2003, quando veio para se licenciar. Foi aí que Valdir e João se conheceram.

“Jogávamos futebol na equipa da universidade, foi o capitão da equipa. Ficámos amigos a partir dessa altura. Era uma pessoa a alegre, bem-disposta e que nunca se queixava da vida. Era muito chegado à família e católico. Bom aluno, bom colega, bom amigo colega, desportista e atleta”, recorda. Os dois estiveram juntos pela última vez há uma semana.

Valdir era o mais novo de seis irmãos (os pais e dois irmãos viviam em Lisboa). Era filho de Benvindo Tavares, um antigo funcionário do Conselho Nacional do Partido Africano de Independência de Cabo Verde e sobrinho de António Mascarenhas Monteiro, presidente do país entre 1991 e 2001. Mas Valdir “não gostava de falar disso”.

Naquele que foi o primeiro dia da época balnear em muitas praias portuguesas, 1 de maio, ficou marcado por quatro mortes. Além de Valdir, também um casal de espanhóis e uma mulher austríaca foram vítimas do mar. O homem e a mulher com cerca de 60 anos afogaram-se na praia da Nazaré. Ao início da noite, a austríaca, que passeava com o marido à beira-mar, foi arrastada por uma onda na Póvoa de Varzim.

“É preciso lamentar quatro mortes nas praias portuguesas. O único apelo que posso fazer é que as pessoas tenham cuidado. O tempo está magnífico, mas ir ou estar próximo do mar envolve riscos que todos temos de respeitar”, disse aos jornalistas o ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

Notícia retirada de expresso.sapo.pt